Category Archives: Opinião

Geração rasca ou à rasca?

Crónica

Há quem classifique a nossa geração como rasca. Há quem diga que a nossa geração está à rasca. Sinceramente, se somos geração rasca, à situação em que o nosso país está, o devemos.
Senão vejamos. Quem não se identifica com a recente música dos Deolinda “Parva que sou”? Quer ver se se identifica? Então veja a letra.

Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
 alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Eu identifico-me!
Pois bem, deixei um trabalho onde me pagavam para ir estagiar par um sítio onde não me pagam. Isto porquê? Pela simples esperança de começar a trabalhar na minha área: o mercado saturado do jornalismo.
E se queremos ganhar alguma experiência na área é mesmo isto que temos de fazer, já que no mercado de trabalho não aceitam recém-licenciados sem experiência. Mas se somos recém-licenciados como querem que tenhamos experiência? Dêem-nos uma oportunidade por favor! E isto não é um pedido, é um grito de desespero!
Os anos passam, e nós continuamos a trabalhar em tudo menos na área pela qual andamos a estudar durante anos.
Os anos passam, e nós continuamos a viver na casa dos nossos pais porque estar a estudar e a estagiar onde nem recebemos para suportar os custos de alimentação e transporte, sinceramente, não dá para sair da casa deles.
Os anos passam, e nós temos de adiar a compra de um carro mesmo em 2ª ou 3ª mão, o aluguer de um pequeno apartamento com que todos os jovens sonham para se tornarem independentes.
Os anos passam, e nós continuamos a adiar o casamento, a constituição de família…
Os anos passam, e entretanto damos por nós na casa dos 30, a viver ainda com os pais, a trabalhar precariamente fora da nossa área ou então a trabalhar na nossa área mas mal remunerado.

Geração rasca? Não. Nós estudamos durante anos para ter o tão desejado canudo, lutamos pelos nossos objectivos e não baixamos os braços mesmo que o que encontremos seja um trabalho numa dessas lojas num desses centros comerciais repletos de lojistas recém-licenciados. É a única solução encontrada para quem é rejeitado por ter habilitações a mais e para quem a única oportunidade que tem para trabalhar na área pela qual estudou, é um estágio não remunerado de 3 a 6 meses.
E por isto tudo, sim, somos uma geração à rasca e bem à rasca.


A Importância dos Títulos Jornalísticos

Simples, conciso, claro e atractivo. Assim devem ser os títulos jornalísticos para chamar a atenção dos leitores. Estes devem ser um resumo da notícia que se segue e bem escritos para motivar os leitores a ler o assunto noticiado. É a partir dele que o leitor vai saber se o que está na notícia lhe interessa ou não e se vai continuar com a leitura.

O título é o que realmente tem mais destaque nas páginas dos jornais, é para eles que os leitores olham em primeiro lugar, deixando para trás os leads, o próprio conteúdo e as imagens. Por vezes, os títulos juntamente com as imagens são mesmo a única parte que o leitor atenta no jornal. Nos dias de hoje a vida agitada leva o leitor a querer consumir informação em menor tempo possível. Passa os olhos pelas páginas de um jornal saltando de título para título até algo que lhe prenda a atenção.

Então, o facto de o leitor se interessar ou não por ler uma notícia deve-se a um título bem elaborado e atractivo capaz de chamar a sua atenção e de conseguir retê-la. Tem de saltar à vista, surpreender e despertar em nós o desejo de saber mais sobre o assunto da notícia. Um título vende, sem dúvida, uma notícia ou até uma edição de um jornal. De um modo geral, podemos dizer que o título de qualquer peça jornalística é o seu rosto. Compete, pois, ao título chamar a atenção do leitor, quaisquer que sejam os seus interesses, gostos ou hábitos de cada um. Deve ser atractivo para suscitar o desejo de obter mais informações e, mesmo tempo, explícito para que toda a gente o compreenda com facilidade.

Porém, por vezes deparamo-nos com títulos que dizem mais do que as próprias notícias ou então que não dizem nada relacionado com o que é noticiado. Muitas vezes, ainda, existem títulos jornalísticos exagerados só para chamar a atenção para uma notícia cujo conteúdo não está relacionado com o título. Outras vezes os títulos apontam para uma ambiguidade podendo mesmo trazer uma ideia contrária ao que o texto vai desenvolver, com o objectivo de quebrar expectativas. Títulos gritantes e sensacionalistas com o objectivo de cativar o leitor também são uma constante.

Os títulos desempenham ainda uma função estética nas páginas dos jornais, ajudando a quebrar a monotonia das extensas colunas de texto e, qualquer jornal sabe que a disposição das notícias numa página é muito importante, aliás, a importância dada pelo leitor às diferentes áreas das páginas dos jornais variam, e os jornais sabem disso, por isso apostam da melhor maneira na posição dada a cada notícia.

Curiosidade
Quantas vezes se escreve uma notícia e não se sabe qual o título a atribuir? Para um jornalista escolher o título de uma notícia depois de a ter escrito pode revelar-se uma tarefa complicada, isto porque para além da preocupação com o conteúdo da matéria tem de encontrar a melhor forma de “vendê-la”. Pelo que a maioria dos jornalistas opta por escrever a peça e só no final se debruçam sobre o título. É um bom truque deixar o título para o fim, para depois de se ter concluído a peça, pois nessa altura o jornalista domina perfeitamente o seu conteúdo. As dificuldades de elaboração de um bom título advêm, ainda, da necessidade de reunir numa única frase o assunto da notícia de forma apelativa mas esclarecedora e sempre fiel ao texto que titula. Não devem, assim, escolher o título ao acaso, antes, o jornalista deve ser capaz de redigir um título descritivo, simples mas vigoroso.

Sugestões
Para regras de construção de um texto jornalístico podem consultar o Livro de Estilo do Jornal Público .


Nasci numa ambulância!

Pressa de nascer ou demora na chegada de ambulâncias para transportar as grávidas aos hospitais?

Cada vez mais é frequente ouvirmos “nasceu mais um bebé numa ambulância a caminho do hospital”. Mas quais são as causas destes acontecimentos que estão a crescer um pouco por todo país? Estará o fecho das maternidades e dos hospitais nas localidades do interior na origem destes nascimentos em ambulâncias?
Por exemplo, metade das corporações de bombeiros do distrito de Bragança já foram “parteiras”, nos últimos três anos de, pelo menos, sete bebés nascidos em ambulâncias, com o IP4 a predominar como local de nascimento entre as estradas da região.
De acordo com dados obtidos pela Lusa junto dos bombeiros, metade das 14 corporações do Nordeste Transmontano já tiveram a experiência de um parto na estrada, desde o encerramento da Maternidade de Mirandela, em Setembro de 2006.
Porém, os entendidos nesta matéria referem que o nervosismo, a falta de informação e de acompanhamento das grávidas podem ser alguns dos motivos que contribuem para que haja crianças a nascer dentro de ambulâncias. O ambiente próprio das ambulâncias causa nervosismo nas grávidas e ansiedade para chegar depressa ao hospital o que faz acelerar o trabalho de parto.
Dizem ainda que, normalmente, estes casos acontecem com mulheres que já tiveram filhos antes, pois há a tendência para aguentar mais tempo em casa ou porque não têm transporte, ou porque as contracções não lhes parecem ser fortes.
A verdade é que com as maternidades locais encerradas, as grávidas têm de percorrer quilómetros de distância para chegar ao hospital mais próximo. Durante este percurso, mesmo que iniciem a viagem logo que sintam a primeira contracção, é natural que o parto aconteça na ambulância. Isto porque, primeiro as ambulâncias têm de percorrer o longo caminho até ao local onde a grávida se encontra e depois fazer de novo o caminho de retorno.
Por isso, se isto assim continua, as notícias passarão a relatar partos em casa e não em ambulâncias.
Em Oliveira de Azeméis também Dora não esperou até ao hospital para nascer. Coube a dois bombeiros bombeiros ajudarem a nascer mais uma criança a caminho do hospital.


Velocidade e adrenalina nas corridas de Vila Real

O Circuito Automóvel de Vila Real, criado em 1931, é considerado pelos especialistas como o melhor circuito urbano do país e conhecido como o mais mítico evento deste género.
Bastante conhecido pela dimensão da sua história este circuito é dotado de potencialidades inigualáveis por nenhuma outra prova como esta a nível nacional e o único evento de desporto motorizado que se desenvolve no interior do país.
O fundador foi Aureliano de Almeida Barrigas mas com o apoio de outras pessoas. Para ajudar a criar o Circuito foi lançado em Vila Real um imposto de $40 em cada quilo de carne ao qual todas as pessoas aderiram de bom grado. Foi em 15 de Junho de 1931 que se deu as primeiras corridas do Circuito de Vila Real. Para assegurar a continuidade do Circuito é criada uma Direcção, da qual fazem parte pessoas com muito poder e conhecimento no mundo automóvel. O traçado do Circuito foi durante muito tempo o seguinte: A partida era feita da Avenida Almeida Lucena, seguia para o Entroncamento da Timpeira, Mateus, Estação de Caminho-de-Ferro, Ponte, Rua Miguel Bombarda, Rua Cândido Reis e travessa Cândido Reis, e voltava-se outra vez à Avenida Almeida Lucena, este percurso de 7,150 metros era feito por 20 vezes num tempo máximo de 3.30 horas. Este percurso manteve-se até 1950, ano em que iniciam as obras do alargamento da Ponte Metálica, logo os carros tinham de fazer a travessia do Rio Corgo pela Ponte de Sta. Margarida. Com a construção da Avenida Marginal, também houve algumas alterações, a curva passou a fazer-se a seguir à ponte. Já nos anos 80, o troço desde a meta até à Timpeira desapareceu e a meta passou a ser em Abambres.
Os anos 60 e 70 foram os anos de ouro do circuito. Em 1969 tem lugar uma grande prova, que reúne corredores nacionais e estrangeiros, que foi “6 Horas de Vila Real” que se realizou nos dias 5 e 6 de Julho. Outra grande prova que marcou o início dos anos 70 foi “500 Km” que teve lugar nos dias 4 e 5 de Junho. Durante a segunda guerra Mundial até 1949 o Circuito foi encerrado por alguns tempos, mas o que marca o início do declínio do Circuito é o 25 de Abril de 1974. Devido às dificuldades económicas à subida da gasolina. A última corrida que se realizou no Circuito de Vila Real foi em 1989, tendo ocorrido um grande acidente na Araucária que provocou a morte de pessoas, o que levou ao encerramento desta “festa”.
Após 16 anos, com o 43º Circuito Automóvel de Vila Real, as emoções das famosas corridas de Vila Real regressaram à cidade, onde milhares de espectadores puderam sentir de novo a velocidade e a adrenalina deste desporto com tanta tradição na cidade transmontana.


Novo conceito de Censura no século XXI

Todos pensamos que o fim da ditadura militar ditou o fim da censura nos meios de comunicação social… Porém, apenas mudaram os seus repressores. Não é mais uma censura que se reporta à ditadura onde os meios de comunicação eram severamente controlados pelo governo mas sim uma censura disfarçada de dependência económica. Hoje quem compra o espaço publicitário, quem sustenta os órgãos da comunicação social é quem indirectamente tem poder sobre o que é dito nos jornais de determinada empresa, político ou governo.
Hoje a censura funciona como autocensura, ou seja, se a notícia prejudica a imagem da empresa ou de alguém da qual o meio de comunicação social depende, então é censurada com alguns cortes, acréscimos e outras edições.
Hoje o que interessa é vender, o que interessa é as audiências, o que interessa é manter uma imagem.

Sejamos práticos. No Brasil, por exemplo, o jornalista Paulo Beringhs, apresentador de um programa noticioso na TV Brasil Central declarou que estava a ser censurado pelo governador Alcides Rodrigues demitindo-se de seguida. A declaração foi feita ao vivo, durante a transmissão do Jornal “Brasil Central”.
Vejam http://www.youtube.com/watch?v=Kv0rSqQmkTE


“Sim, a mulher pode!”

Pela primeira vez na sua história, o Brasil elegeu uma mulher para o cargo de presidente da República, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, que já tinha vencido a primeira volta mas sem a maioria necessária para ser eleita.
A “herdeira” de Lula da Silva teve a eleição definida quando atingiu 55,43% dos votos válidos no segundo turno das eleições, ante 44,57% do candidato do Partido da Social Democracia Brasileira, José Serra.
Eleita para govenar num período de 2010 a 2014, Dilma promete dar continuidade às políticas de Lula da Silva e garante que uma das suas maiores prioridades vai ser erradicar a miséria. “Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à sua própria sorte”, afirmou Dilma.

Dilma Vana Rousseff nasceu no seio de uma família de classe média alta em Belo Horizonte a 14 de dezembro de 1947..
Educada de modo tradicional, interessou-se pelos ideais socialistas durante a juventude, logo após o Golpe Militar de 1964.
É uma economista e política brasileira, filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) e, actualmente, presidente eleita do Brasil. Foi nomeada ministra-chefe da Casa Civil durante o Governo Lula, em Junho de 2005, sendo a primeira mulher a ocupar a posição. Dilma candidatou-se à Presidência da República nas eleições de 2010,cujo resultado do segundo turno, em 31 de Outubro, garantiu-lhe o posto de primeira mulher presidente da história do país.
Em 2002, participou na equipa que formulou o plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva para a área energética. Posteriormente, foi escolhida para ocupar o Ministério de Minas e Energia, onde permaneceu até 2005.
Em 2009 Dilma Rousseff foi incluída entre os 100 brasileiros mais influentes do ano.




Jornalismo impresso em “vias de extinção”?

Não posso deixar de partilhar com vocês um artigo de opinião que achei interessante e passível de um debate
entre os demais profissionais e admiradores da área do jornalismo.
O artigo intitula-se “Para que serve um jornal” mas a questão que o mesmo coloca (indirectamente) é a seguinte: estará o jornal impresso em vias de se extinguir? Quais serão as novas tendências do jornalismo?
Vejam e comentem.
http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=643669