Câmara Amiga: Um ombro amigo para quem mais precisa

Reportagem

Pobreza. Solidão. Carência. Más condições habitacionais. Desemprego. Dificuldades financeiras. São estes os problemas que o município de Vila Real tenta colmatar com o seu projecto na área social, o Programa Câmara Amiga. “Mais próxima de quem precisa”, é este o lema desta iniciativa da Autarquia Vila-realense, que integra o Banco de Voluntariado e Doação de Bens, a Unidade Móvel de Saúde e a Oficina Domiciliária, três novos serviços que visam apoiar os Municípios numa lógica de proximidade e de serviço público.

Esta “caminhada” teve início em 1999, com o arranque do Projecto Luta Contra a Pobreza, dirigido aos idosos que viviam isolados e sem rectaguarda familiar. Mas o apoio social não se resume aos idosos, uma vez que a Câmara Municipal tem vindo a realizar um esforço significativo em áreas como o Apoio Social às Famílias, apostando nos serviços de refeições escolares, no prolongamento de horário das escolas, no Programa de Ocupação de Tempos Livres, durante os períodos de interrupção lectiva, na diversificação das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), entre outros.

Vila Real é mesmo considerada, pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, a Campeã das Autarquias Amigas da Família.

E é nas famílias carenciadas que a Câmara Amiga está a pensar com a sua acção de voluntariado que decorreu recentemente junto das grandes superfícies comerciais: a recolha de bens alimentares para quem mais precisa, para que na Noite de Natal não falte comida em cima da mesa destas famílias necessitadas.

A verdade é que são muitas famílias cujos elementos se encontram em situação precária, sem emprego e sem outras fontes de rendimento, pelo que este projecto da autarquia é, para a maioria destes agregados familiares, o último recurso e um “ombro amigo” para que este natal possa ser passado com um pouco menos de dificuldades.

Gilberta Carvalho, Assistente Social da Câmara Municipal de Vila Real, acompanha o projecto da Câmara Amiga desde o seu início: “Fazemos esta iniciativa há muito tempo e sendo nós da área social, estamos mais sensíveis a esta situação”, acrescentado: “queremos dar o nosso contributo não só em géneros mas também fazendo voluntariado como nesta situação de recolha de bens alimentares para as famílias mais carenciadas”.

E apesar da crise que se tem feito sentir, Gilberta Carvalho diz que o balanço é muito bom: “Os vila-realenses são muito solidários e principalmente no Natal, as pessoas estão mais sensíveis a esta causa dando um bocadinho de si com o seu contributo”. Satisfeita, a assistente social diz terem conseguido encher três carros de compras em pouco tempo.

Porém, para estas assistentes sociais a dificuldade em ajudar os outros tem acrescido muito uma vez que também têm cada vez mais procura. Para os envolvidos no Programa Câmara Amiga, os muitos alimentos que conseguem recolher nesta altura são insuficientes: “Todos os anos a procura pelo nosso apoio cresce mais. Recolhemos bens alimentares agora no Natal mas chegamos por volta da época da Páscoa e já estamos a precisar de mais reservas alimentares”, declara Gilberta Carvalho. Por ano, a Câmara Amiga faz cerca de três recolhas o que reflecte a carência das famílias vila-realenses e que a sua situação está a piorar. A verdade é que neste concelho há muitas famílias que “viviam bem” até agora mas ao depararam-se com situações como o desemprego começaram a recorrer ao auxílio da Câmara Amiga e do seu Banco de Voluntariado e Doação de Bens.

Mas o Banco de Voluntariado e Doação de Bens não fica pela simples fomentação da prática de voluntariado e apoio às famílias mais carenciadas do Concelho. Há todo um trabalho por trás desta ajuda, um trabalho de pesquisa para conhecer bem a família que estão a ajudar para que a ajuda chegue a quem realmente precisa. “Não damos por dar. Fazemos uma avaliação da família, em termos económicos e habitacionais e a partir daí damos o apoio que achamos ser mais ajustada às suas necessidades”, sublinha Gilberta Carvalho.

Visto em números, o Banco de Bens distribui mensalmente uma média de 120 a 125 cabazes alimentares.

Testemunhos reais de quem ajuda o mais próximo sem pedir nada em troca são Helena Costa e Cátia Ribeiro, voluntárias da Câmara Amiga: “É uma experiência gratificante ser voluntária e ajudar as pessoas que realmente precisam”, afirma Helena Costa. “Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa não recebemos qualquer tipo de remuneração. Estamos aqui pelos nossos próprios meios só com o intuito de contribuir para ajudar famílias carenciadas”, conclui.

Também Cátia Ribeiro realça a importância do voluntariado: “É o trabalho voluntário que faz com que muitas instituições funcionem, ajudando quem mais precisa, uma vez que a crise em que vivemos não permite que as instituições contratem mais pessoas para trabalharem, daí o voluntariado ser fundamental”.

Para Cátia ser-se voluntário só traz vantagens: “o facto de ajudar quem precisa é para mim a principal vantagem, sentir-me útil para a sociedade em que vivo, a interacção com as pessoas, conhecer mais voluntários, o conhecimento da verdadeira realidade em que Vila Real vive… Quero dizer com isto que antes de ser voluntária não fazia ideia que havia tantas famílias carenciadas no nosso concelho”.

O facto é que os vila-realenses continuam a dar provas da sua solidariedade: “É muito gratificante quando sabemos que estamos a ajudar alguém, por mais pequena que seja essa ajuda”, conclui Gilberta Carvalho.

Elisabete Teixeira

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About Elisabete Pinto

Licenciada em Ciências da Comunicação Mestrado em Jornalismo Ver todos os artigos de Elisabete Pinto

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